03/07/2009 - 19:41

“Não fomos pegos de surpresa” , diz Zanon após fim do Limeira

Por Alexander Vestri

O fim da primeira edição do Novo Basquete Brasil, comemorado como uma conquista da administração dos clubes, foi seguido por uma notícia negativa. O fim do time Winner/Limeira após oito anos de atividade pode deixar uma lacuna na próxima edição do torneio nacional. A notícia, que pegou de surpresa os fãs da cidade, já corria entre os membros da equipe, mas ninguém imaginava que o estrago seria tão grande.

> Veja na íntegra a carta de Cássio Roque sobre o fim do Limeira

“Não fomos pegos de surpresa, porque fomos notificados, mas ninguém pensava que o Limeira ia passar de campeão a nada”, afirmou o técnico Luiz Augusto Zanon, que aguardava por uma solução para reerguer o time do interior. “Esperei até o último dia, e agora me sinto desempregado. Não tenho time, estou à procura de novos projetos, seja aqui ou em outro lugar”, disse.

Já o ala Renato admitiu que conhecia as dificuldades da empresa que emprestava o nome à equipe, mas o grupo chegou a minimizar os problemas. “A gente foi pego de surpresa, porque havia boatos, a gente sabia da condição financeira do Cássio, mas ninguém acreditou”, disse o jogador.

Carta de despedida

Em comunicado oficial no site do time, na última quarta-feira, dia 1º de julho, o empresário Cássio Roque comunicou o fim das atividades no basquete com o cancelamento do patrocínio da Winner, da qual é dono. A empresa estaria sentido os abalos da crise financeira mundial já desde setembro de 2008.

Desde janeiro, Roque passou a procurar investidores. Com o início do Novo Basquete Brasil, em 28 de janeiro, a dificuldade financeira do principal patrocinador continuava a ser assunto latente no dia a dia da equipe. No entanto, a diretoria manteve os salários sempre em dia. O transporte para jogos fora de casa era feito de avião, e a hospedagem, em hotéis.

Dois dias depois da eliminação para o Ciser/Araldite/Univille/Joinville, nas quartas de final, no dia 21 de maio, a situação foi ratificada. Roque chamou os jogadores individualmente, e cada um ficou sabendo que o time corria o risco de acabar caso nenhum convênio fosse fechado até o dia 30 de junho.

A data, estipulada pelo próprio empresário, coincidia com o fim do primeiro ano de contrato de Renato, Nezinho e Shammel. Os três teriam mais um ano a cumprir a partir de agosto, e ainda têm de receber o último pagamento no dia 10 de julho. Uma cláusula previa o fim automático do contrato caso o time acabasse.

Surpresa

Diante desse quadro, alguns jogadores aceitaram propostas para jogar em outros clubes. Os alas Edu e Betinho e o pivô Fiorotto assinaram com o Paulistano. O ala Shamell e o pivô Luis Fernando acertaram com o Pinheiros.

O técnico Luis Zanon permaneceu em Limeira até o fim do prazo estipulado. Com ele ficaram Tatu, Nezinho, Guilherme Teichmann e Renato. No entanto, com o vencimento da data, Nezinho e Renato estão a um passo de assinar com o Universo/BRB/Financeira Brasília. O clube da capital federal mantinha contato com Nezinho desde sua ida ao Conti/Assis.

“Cada um sabe a dor que tem. Se ouvir uma proposta bacana, tem que pegar e ir embora. Principalmente o pessoal mais jovem, que tem projeto de família. Eu fiquei porque tenho criança e até porque o Roque sempre nos tratou bem. Mas depois do anúncio no dia 30, eu não podia mais esperar”, afirmou Nezinho, que disse não ter se aprofundado nas propostas que recebeu antes do fim de Limeira se confirmar.

Férias

O calendário de jogos foi apertado para o time de Limeira no início do ano. Cinco dias após levar o título de campeão paulista sobre o Franca, estreou no NBB contra o Joinville. Renato admite que o desgaste do torneio estadual acompanhou a equipe durante a disputa do nacional.

“O time tinha tudo para chegar nas finais [do NBB], mas o Paulista foi muito cansativo, pois era uma coisa que a gente queria muito [ser campeão estadual]. Depois desse objetivo, não conseguimos retomar mais nada”, afirmou.

Longe das quadras desde a desclassificação em maio, Renato se recolheu à rotina de pai de família. “Estou aproveitando as férias com os filhos. Não dá nem tempo de bater uma bola no parque, ainda mais que agora é férias, as crianças ficam dentro de casa”, contou. A forma física não o preocupa. A próxima edição do Paulista tem início agendado para 20 de agosto, e o segundo NBB deve começar em outubro. Renato julga que terá tempo o suficiente para retomar o treinamento e chegar bem para a próxima disputa.

Outro que está aproveitando para descansar é Nezinho. “Desde que acabou [o NBB], não vi bola. Estava precisando de férias”, afirmou o armador. Mas apesar de ter praticamente emendado as competições, Limeira foi o time paulista mais bem colocado no NBB, em quinto na classificação geral, com 18 vitórias, mas caiu diante do Joinville na primeira fase dos playoffs, por 3 a 1.

Fazer uma boa campanha era até mesmo vista como uma chance de salvar o time. “O próprio Zanon falou, quando começaram a surgir rumores, para nós tentarmos chegar mais longe no campeonato, que isso poderia ajudar a situação”, disse Nezinho.

O empresário Cássio Roque não foi encontrado pela reportagem de Playoff.

fim do limeira

Infelizmente um bom clube do basquebol nacional acaba.
Isso poderia ser diferente se o NBB fosse transmitido na TV aberta. Público interessado existe e não é pequeno. O sucesso da LNB é certo, e o retorno financeiro para quem se tornar parceiro desta iniciativa também.
A Globo não pode ter o monopólio das transmissões dos esportes no Brasil. Demais televisões se mexam.

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